EDUARDO SRUR E SUAS INTERVENÇÕES URBANAS

Acompanho o trabalho de Eduardo Srur há muitos anos. O artista mora em São Paulo e cria intervenções urbanas com o intuito de chamar atenção para o cotidiano ou as questões ambientais por meio de intervenções urbanas. Seus trabalhos interferem na paisagem urbana com o intuito de gerar questionamentos ao público: prédios importantes abandonados, poluição, enchente, desperdício, consumismo, conscientização, degradação, revitalização, reciclagem são alguns dos temas.

Recentemente, li uma matéria sobre sua próxima exposição (programada para o segundo semestre de 2021): Natureza plástica. Nela, Srur utiliza diversas sacolas plásticas para recriar obras de mestres consagrados, tais como: Tarsila do Amaral, Picasso, Van Gogh, Monet, Warhol. Ele prensa os plásticos de diversas cores e, sem o uso de cola, vai montando as imagens e criando esses trabalhos incríveis. Assim, ele chama atenção para o acúmulo de lixo ao mesmo tempo que recicla o material. No trabalho Pets, coloca diversas garrafas PET gigantes nas margens do rio Tietê, em São Paulo chamando atenção para a degradação do rio.

Também relacionada à poluição da água, outra obra, intitulada Trampolim, dispõe de vários bonecos projetados em pranchas azuis à margem do rio Pinheiros, como se as pessoas pudessem pular e nadar, retomando o fato de o rio anteriormente ter água saudável. Em outra intervenção, um peixe inflável de 40 metros também foi colocado nos dois rios já citados, navegando na poluição. Uma de suas mostras, O aquário morto, contou com a pareceria do Instituto EcoFaxina, que, com a participação de 600 voluntários, mobilizou a retirada de 28 toneladas de lixo no litoral paulista.

Chamando atenção para o mau trato das árvores nas cidades, o artista plantou uma árvore de cabeça para baixo no parque Ibirapuera. Também na cidade de São Paulo, Srur criou a campanha Combate ao cinza, estimulando o trabalho de diversos grafiteiros que coloriram a cidade.

O artista também faz campanhas publicitárias. Além da divulgação de festivais de música, traz à tona questões relacionadas a problemas de saúde, promovendo a conscientização do público a respeito de doenças pouco conhecidas, assim como autismo e a necessidade de exames de controle para a prevenção de câncer de mama (ampulhetas que têm o tempo ao revés, a areia não cai, e sim levanta contra o tempo, fazendo uma apologia ao controle da saúde a tempo, como forma de evitar a criação de metástases a partir do câncer de mama).

Outro trabalho incrível que também trata de campanha de conscientização da população envolveu o tema “Se beber, não dirija”. Para tal, foram feitas intervenções em cinco estados brasileiros, e vários carros batidos foram inseridos dentro de imensas garrafas infláveis.

Outra intervenção marcante, chamando a atenção para os hábitos de consumo, desperdício e impulso da sociedade, foi a colocação de diversos carrinhos de supermercado gigantes no centro da cidade de São Paulo.

A arte realmente pode conscientizar as pessoas e chamar a atenção para fatos importantes que vão se tornando corriqueiros no decorrer dos dias. Eduardo Srur direciona o olhar para o que deveria ser primordial em uma sociedade desenvolvida. Afinal, merecemos rios sem poluição e sem enchente e um mundo mais limpo, merecemos cuidado com nosso patrimônio cultural, merecemos atenção com a saúde. A intenção do artista de acordar a população é linda. Vamos acordar?

Consultas:

https://www.hometeka.com.br/f5/7-intervencoes-urbanas-do-artista-brasileiro-eduardo-srur/

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/05/31/artista-reproduz-obras-de-arte-de-picasso-van-gogh-munch-e-tarsila-com-sacolas-de-plastico-em-sp.ghtml

https://www.attack.art.br/cases/pintado

https://www.attack.art.br/cases/nokia-trends

https://www.eduardosrur.com.br/oartista/biografia

http://www.responsabilidadesocial.com/perfil/eduardo-srur/

 

 

Helena Rios

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