DEBORAH DE ROBERTIS

O NU NA ARTE

Deborah De Robertis, artista de Luxemburgo, resolveu tirar suas roupas, mostrando-se de pernas abertas e somente de camiseta. A primeira vez foi em 2014, diante do quadro A origem do mundo, de Gustave Courbet (1819-1877). E a segunda em 2016, em frente à obra de Édouard Manet que representa a prostituta Olympia.

Os fatos ocorreram no Museu D`Orsay, em Paris, e causaram muita polêmica. Alguns aplaudiram, enquanto o segurança tentava se posicionar em frente à artista nua, evitando que ela fosse vista.

Por fim, ao solicitarem explicação sobre o ato, Deborah De Robertis respondeu que seria “difícil de resumir em poucas palavras”. “Eu sou todas as mulheres”. “É simbólico”.

Em resumo, o nu aparece na arte desde a Pré-história. Inicialmente, a representação era reduzida a formas simbólicas que conseguiam caracterizar os corpos de maneira clara.

Na arte grega, os deuses eram representados com corpos perfeitos e harmoniosos, assim como na arte romana.

Enquanto na Idade Média, o nu passa a ter uma conotação de pecado e proibição, sendo valorizados os fatos religiosos. Apesar de Eva e Adão viverem nus no paraíso, somente depois do século XIII suas representações passaram a ser exibidas em forma de nus.

No Renascimento, cenas de mulheres nuas passam a ser mais comuns. Contudo, na metade do século XVI, com o Concílio de Trento, os nus passaram a ser tampados com folhas, cabelos, etc. (como exemplo: Capela Sistina de Michelangelo). Raras eram as exceções, resumindo-se a encomendas de temas mitológicos com nus.

No período Neoclássico, acontece o retorno dos valores humanistas. Cenas de guerra, então, além das mitológicas, são representadas com corpos nus.

Em seguida veio o surgimento da pintura românica, que valorizava o drama e a realidade. A partir daí as obras passaram a expressar mais sexualidade, rompendo com o classicismo. Após essa fase de representação realista veio o Impressionismo. Suas sombras coloridas, contrastes de luzes e representação do nu não vinculado a cenas mitológicas e religiosas.

Foi justamente nessa ocasião que a pintura A origem do mundo, de Gustave Courbet, chocou o público ao mostrar o “sexo feminino sem nenhum véu”. Ainda hoje a pintura é considerada indecente, sendo eliminada do Facebook ao ser publicada.

Enfim, achei interessante colocar essa cronologia para entendermos as épocas e seus vínculos com a imagem do nu.

Outro fato relevante que gostaria de ressaltar é que o Museu D`Orsay, em 2015, realizou uma campanha intitulada: “Traga seus filhos para ver gente nua”. Segundo a diretora do museu, o objetivo era o de ver a reação das crianças diante das obras. Ela inclusive acrescentou que a relação com a nudez deve levar ao debate, incomodar e questionar.

Contudo, o museu não gostou da atitude da performista ao se exibir nua diante das obras.

No Brasil, presenciamos recentemente debates acalorados diante da interação de uma criança com um performista nu e no Queermuseu, no Santander Cultural de Porto Alegre.

A nudez leva ao debate. A artista nua, Deborah de Robertis colocou uma câmera na cabeça e gravou a atuação do público e dos guardas. Portanto, o museu a considerou uma exibicionista. A artista se defendeu, dizendo que reencarnou a pintura e não expôs a nudez, “mas a posição de um modelo nu, que volta a olhar para a audiência atual e desafia o tempo moderno”.

Enfim, é arte? Ou é exibicionismo em prol de publicidade? A performance é chocante e violenta? Ou violenta são as situações de assassinatos, mortes no trânsito e agressões contra as mulheres que estamos vivenciando?

Referência: g1.globo.com em 04/10/2017 vermelho. org.bruai.com.br em 18/01/2016, publico.pt em 04/02/2016

Fotos retiradas da internet

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Helena Rios

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