O ABUSO DA BELEZA

No livro O abuso da beleza, Arthur Danto relata que somente conhecendo a História e o conceito ou a teoria que definiam o mundo da arte na década de 1960 é que se consegue entender a arte.
A arte anterior ao século XX deveria ser bela; contudo, o Dadaísmo nega a beleza, desintegrando-a do conceito de arte, concluindo que a arte deveria ser sublime, “despertando reverência”.
Nesse momento, não só a beleza, mas também a mímese deixam de ter importância.
A Brillo Box de Andy Warhol nada seria num período anterior ao que lhe deu significado. Qualquer objeto que Warhol escolhesse poderia ser arte. Assim, comida poderia ser arte, história em quadrinhos, produtos industriais. Não havia nenhuma teoria de arte que a definisse.
Para Arthur Danto, o fim da Arte ficou claro nesse momento. Ele se utiliza principalmente da Brillo Box de Warhol para enfatizar que a estética foi suprimida, tornando problemática a definição de uma caixa de supermercado como não arte de outra quase idêntica como obra de arte.

Declara também que Duchamp, ao expor um urinol em 1917, pretendia enfatizar a ausência de estética, “do bom ou do mau gosto”.


Ele ressalta que, num período em que qualquer coisa pode ser obra de arte – o silêncio (John Cage), uma dança imóvel, uma caixa de madeira, um quadro branco –, como é possível estabelecer critérios? Como determinado artista consegue conferir prestígio a uma determinada obra?
As condições que passam a definir algo como obra de arte, portanto, se tornam bastante amplas e abstratas.
O conteúdo passa a ser mais importante que a beleza. Os ready-made, por exemplo, são indiferentes à estética. A obra passa a ter uma associação com o local onde é exposta, havendo uma preocupação em afrontar o espectador, muitas vezes criando polêmica de modo desconcertante e desagradável. O belo já não é parâmetro para definir o que é ou não uma obra de arte.
Enfim, o autor discorre, no decorrer do livro, sobre a relação entre arte e beleza a partir do século XX, citando os filósofos, artistas e livros que guiam seus pensamentos, e ainda aborda como devemos pensar a arte, escrevendo sobre seu poder transformador.

AUTOR: ARTHUR C. DANTO
EDITORA: WMF MARTINS FONTES, 2015

Helena Rios

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