BIENAL DE ARQUITETURA DE VENEZA

A 17ª Bienal de Arquitetura está sendo realizada em Veneza desde 21 de maio e conta com 46 países que pretendem mostrar suas intenções de como ocupar o mundo, como conectar espaços de trabalho, convivência, residenciais e transporte de maneira equilibrada e fluida. Viver junto através da arquitetura.

 

Sob o tema “Como nós viveremos juntos”, o curador libanês Hashim Sarkis pretende exibir propostas que expõem as desigualdades e os conflitos vivenciados no mundo. É preciso pensar como a intensificação da crise climática, os imigrantes, as instabilidades políticas e desigualdades raciais, sociais e econômicas afetam a disposição dos espaços.

O projeto que representa o Brasil é intitulado Utopias da Vida Comum e tem curadoria dos Arquitetos Associados (composto pelos arquitetos e urbanistas Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecília, Carlos Alberto Maciel e Paula Zasnicoff) com colaboração do designer Henrique Penha.

 

Inicialmente, os arquitetos propuseram a reforma do antigo Pavilhão do Brasil, descaracterizado devido a uma série de intervenções. A ideia seria abrir uma das salas para o terraço, mas, apesar dos esforços, a reforma foi impossibilitada devido à pandemia de covid-19. Pensando em como viver junto em meio a tamanha desigualdade social, a equipe montou duas salas: “Futuros do Passado” e “Futuros do Presente”. A primeira sala mostra dois projetos de arquitetura icônicos: o Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, concebido em 1947 por Affonso Reidy no Rio de Janeiro, e a Plataforma Rodoviária de Brasília, de Lúcio Costa, localizada no eixo do Plano Piloto da cidade utópica. A primeira edificação, conhecida como “Pedregulho”, é um dos maiores empreendimentos da habitação social dos anos 1940, e as fotos retratadas são de Luiza Baldan. Já as fotografias da plataforma rodoviária de Brasília são de Gustavo Minas. Os dois ensaios fotográficos já haviam sido concebidos e foram escolhidos por retratar temas abordados na Bienal: as diferenças sociais e a ocupação de espaços em obras arquitetônicas nas cidades. A intenção dos arquitetos ao mostrar estas duas obras, somada ao trabalho dos fotógrafos, não foi somente a de apresentar estes edifícios arquitetônicos como exemplos, mas sim de enfatizar como a arquitetura moderna construiu formas de ocupações utópicas para o convívio.

Acima foto de Luiza Baldan: Pedregulho

Acima foto de Gustavo Minas: Plataforma Rodoviária de Brasília

A segunda sala mostra um vídeo de Aiano Bemfica, Cris Araújo e Edinho Vieira, que exibem o cotidiano da ocupação de um prédio abandonado no Centro de Belo Horizonte por 200 famílias: a Ocupação Carolina de Jesus. A proposta se baseia na futura utilização de edifícios abandonados para a ocupação de moradias de baixa renda no centro da cidade. Tal ideia seria um antídoto não só contra a degradação das edificações, como também do entorno. Somada a isso, a inclusão de programas com atividades complementares e coletivas seria implementada.

Outro vídeo, do diretor Amir Admoni, aborda a apropriação dos rios e margens nas cidades e foi desenvolvido a partir do projeto intitulado Metrópole Fluvial, da Universidade de São Paulo. O vídeo, visualizado a partir de três telas, mostra o reflexo de um homem remando um barquinho nos rios da cidade de São Paulo, com trânsito caótico, poluição e grandes edifícios, revelando outra perspectiva da cidade.

Outro projeto brasileiro é uma videoinstalação coordenada pelo artista Olafur Eliasson (veja no blog matéria sobre esse artista: OLAFUR ELÍASSON: SOE KITCHEN – blog da Helena Rios (helenateixeirarios.com), entre outros. Chama-se Future Assembly e trata de abordar a relação dos indígenas com o morar e com o entorno. A proposta foi desenvolvida por Takumã Kuikuro e o designer Gringo Cardia. O designer passou um período no Alto Xingu, convivendo com os indígenas, e se encantou com as imagens feitas por Takumã Kuikuro, que agregou força ao projeto. Preocupação com a terra e a aldeia e preservação do meio ambiente são os temas abordados. Eles colocam que a mescla homem-natureza e natureza-homem devem ser o mote da arquitetura do século 21. O homem conectado com a casa, a natureza e o sagrado.

Os Estados Unidos dedicaram a exposição à exploração do uso da madeira, material esquecido pela cultura americana. A curadoria é de Paul Preissner e Paul Andersen, professores da Universidade de Illinois, em Chicago.

Já o Reino Unido enfatiza a divisão entre o público e o privado, destacando as barreiras existentes.

A instalação da Argentina foi feita a partir de inúmeras sacolas plásticas recolhidas e reutilizadas para montar uma escultura flutuante e inflável. O projeto tem autoria de Tomás Sarraceno e se intitula Museo Aero Sala Reconquista.

A Noruega construiu um protótipo de um projeto desenvolvido no país onde espaços de trabalho, alimentação e privados são compartilhados.

O tema da Bienal foi desenvolvido antes do início da pandemia, mas ganhou força com o contexto atual de distanciamento entre as pessoas, tornando mais urgente as formas de repensar os espaços de convivência.

Muitos outros trabalhos instigantes estão sendo exibidos. O pavilhão da China me pareceu bem interessante.

O prêmio Leão de Ouro da Bienal foi concedido ao arquiteto espanhol Rafael Moneo, e o Leão de Ouro Especial a Lina Bo Bardi.

Para mais informações, visite os links abaixo.

A Bienal segue até o dia 21 de novembro de 2021.

 

Fontes da pesquisa:

https://www.archdaily.com.br/br/tag/bienal-de-veneza-2021

http://www.bienal.org.br/post/8788

https://casacor.abril.com.br/noticias/bienal-de-arquitetura-de-veneza-2021-entenda/

https://www.uol.com.br/nossa/noticias/rfi/2021/05/29/brasil-e-destaque-na-bienal-de-arquitetura-de-veneza-com-instalacao-sobre-tradicoes-indigenas.htm

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/05/31/artista-reproduz-obras-de-arte-de-picasso-van-gogh-munch-e-tarsila-com-sacolas-de-plastico-em-sp.ghtml

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/05/jose-damasceno-cria-imagens-com-elasticos-e-cigarros-em-maior-mostra-de-sua-obra.shtml

+info sobre Arquitetos Associados: https://arquitetosassociados.arq.br/

+ info sobre Luiza Baldan: https://www.luizabaldan.com/

+ info sobre Gustavo Minas: https://www.gustavominas.com/

 

Helena Rios

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