INDICAÇÃO DO LIVRO: PELAS PAREDES: MEMÓRIAS DE MARINA ABRAMOVIĆ

PELAS PAREDES: MEMÓRIAS DE MARINA ABRAMOVIĆ

Leitura fascinante para quem quer pensar sobre a vida e a arte e conhecer esta artista única.

Marina Abramović é uma artista performática preocupada com a relação entre artista e público e explora as relações e os limites entre as possibilidades da mente e do corpo.
Para contextualizar, Marina foi precursora na arte da performance, sendo atualmente uma das artistas mais cobiçadas da história. O MoMa realizou em 2010 uma retrospectiva do seu trabalho, atraindo mais de 750 mil visitantes. Na exibição: “A Artista Está Presente”, Abramović participou da performance, na qual permaneceu assentada em frente a uma cadeira vazia que era ocupada por visitantes que, por sua vez, permaneciam olhando-a o tempo que desejassem ou suportassem durante os três meses de exposição, várias horas do dia. Abaixo, imagens d e algumas pessoas que estiveram presentes e se emocionaram diante da artista.

Imagem acima: A performance com e sem a mesa. Ela decide retirá-la após receber a visita de um cadeirante, percebendo que a mesa havia se tornado um entrave.

Tive o prazer de ler seu livro: Pelas Paredes: Memórias de Marina Abramović, editora José Olympio. A autora relata, em primeira pessoa, sua história, desde a infância, vivida na Iugoslávia, até seus 60 anos. A leitura é de fácil entendimento, sendo acessível tanto para o público entendedor de arte, como para o público leigo.

Sua vida se confunde com seu trabalho, sendo impossível separá-los. Afinal, seu corpo está presente. Afeta e é afetado. A artista relata todos os seus processos, sofrimentos, angústias e relações amorosas com muita coragem. Uma performance, que antes poderia ser entendida como uma atuação inexplicável e sem sentido, ganha poder e força com suas explicações. A vida se mistura com a expressão, a expressão com a sensação, e sua intensidade aflora.
Marina é, sem dúvida, uma mulher intrigante e fascinante. O livro expressa sua singularidade. Em suas performances, muitas vezes, ela foi submetida a situações de risco e exaustão, que somente um corpo e uma mente treinados podem superar. Suas experiências são bem relatadas no livro, suas ações surpreendem, seu sofrimento envolve, sua coragem emociona, seu centramento comove.
É interessante seu depoimento sobre a performance Rhythm 0 (Ritmo 0), na qual ela se coloca imóvel e vulnerável diante de um público que pode agir e utilizar diversos instrumentos disponibilizados em uma mesa, tais como: tesoura, faca, escova, fitas e até mesmo um revólver. A performance teve que ser interrompida quando um dos participantes pegou a arma e ameaçou a artista. A vulnerabilidade da artista, somada à violência a que foi submetida, a deixou excessivamente abalada. O “terrível” de que a humanidade é capaz, a desumanização do vulnerável, o irracional vencendo o racional. Tal vivência, medo e dor geraram questionamentos sobre a humanidade e o esgotamento da artista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Marina é intensa e nos envolve e comove com suas reflexões: felicidade, infelicidade, desencontro, medo, aflição, limite, força, fragilidade, exaustão, perigo, poder da mente, dor e amor. Os limites estabelecidos ao corpo, seu estado mental, sua ligação e troca com o público, sua relação com Ulay, caminhos e percursos são relatados com emoção.
Preocupada com a relação entre artista e público, a artista se torna presente. Os leitores são comovidos pela sua arte. E a expressão toma forma. Somos afetados.

Fontes:

https://www.hypeness.com.br/2013/02/performance-de-artista-acaba-num-emocionante-reencontro/

https://www.culturagenial.com/marina-abramovic-obras/

Helena Rios

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