HILMA AF KLINT, uma artista fora de seu tempo

Quanta percepção tinha a artista Hilma af Klint (1862-1944) ao deixar 1.200 pinturas, somadas a inúmeros desenhos, e um testamento que só deixava as obras serem exibidas em conjunto, vinte anos após sua morte?

Ela percebeu não somente a discriminação que uma artista mulher sofreria na época, no final do século XX. Assim como também a falta de espaço que seus pensamentos poderiam ocupar. 

A artista sueca frequentou a Real Academia de Belas Artes. Primeiramente iniciando seus trabalhos com base na natureza, na botânica e na matemática. Suas representações de paisagens, seus desenhos e suas pinturas de retratos eram muito valorizadas na academia e profissionalmente. 

Contudo, mais tarde, Hilma Af Klint acabou se envolvendo com a Antroposofia, a Teosofia e movimentos espirituais, como o Rosa-Cruz. Então acabou iniciando a criação de suas primeiras séries abstratas. 

Nessa ocasião, Hilma costumava participar de sessões espíritas com um grupo de quatro amigas. O grupo, intitulado Five, se reunia semanalmente e dizia fazer contato com “altos mestres de outras dimensões”. Não por acaso, a artista afirmava que suas obras eram feitas rapidamente, sem um estudo prévio. Enfim, ela acreditava ser “conduzida por espíritos elevados”. É interessante ressaltar, se colocarmos em pauta a escrita automática desenvolvida pelos surrealistas, que a atitude da artista precede à do movimento em aproximadamente 30 anos. 

A artista, nessa ocasião, buscava representar uma visão espiritual, “além do que o olho pode ver”. Geralmente, trabalhava grandes formatos, onde formas repetidas, como círculos, espirais e formas ovais, podem ser vistas. A espiral referencia o cosmos. Os símbolos apresentados sustentam temas como a criação do mundo, as religiões e a ciência, o jogo entre o bem e o mal, o feminino e o masculino, a matéria e o espírito.

Ela percebia uma força de significados espirituais nas cores. Para ela, o azul representava o feminino, enquanto o amarelo, o masculino, sendo o rosa a representação da multiplicidade. 

Outro fato relevante é que suas obras abstratas, datadas de 1906, antecedem as composições de famosos artistas, como Kandinsky, Mondrian e Malevich.

Seu trabalho ganhou relevância somente em 2013, quando foi exposto em Estocolmo, indo para vários outros países em seguida.

Ela foi, sem nenhuma dúvida, uma mulher que viveu fora de seu tempo e que acreditou na força de seu trabalho.

Infelizmente, a exposição Hilma af Klint: Mundos Possíveis, exibida na Pinacoteca de São Paulo, terminou no dia 16 de julho de 2018.

 

Referências: 

http://pinacoteca.org.br/programacao/hilma-af-klint-mundos-possiveis/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hilma_af_Klint

Fotos retiradas da internet

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Helena Rios

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