IRVING PENN, artista da revista vogue

O Instituto Moreira Salles (IMS) está presente em Poços de Caldas, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A nova sede em São Paulo, inaugurada em 2017, fica na Av. Paulista e foi projetada pelo escritório de arquitetura Andrade Moretti. O prédio vale a visita e conta com uma biblioteca especializada em fotografia, além de restaurante, espaços para workshops, cinema/auditório, salas de aula e um centro cultural para exposições.

A exposição atualmente em exibição é do fotógrafo Irving Penn. A mostra chega a São Paulo depois de ter sido exibida em Paris e Berlim e comemora o centenário do artista.

Irving Penn, sem dúvida, foi um fotógrafo dentro e fora de seu tempo. Alguns de seus trabalhos foram aceitos muitos anos após sua concepção, como os nus e as fotografias em grande formato de cigarros.

Os nus, também exibidos no IMS, não são eróticos. Nas fotos de mulheres gordas, o fotógrafo tira partido dos volumes excessivos do corpo, sendo alguns mostrados como massas de “carne”, ainda assim com maestria.

Essas fotografias me chamaram muito a atenção. Como grande parte do trabalho de Irving Penn era feito para a Casa Vogue, meu imaginário idealizou que o culto à estética da modelo magra seria uma marca registrada no trabalho do fotógrafo. Entretanto, estas imagens mostram meu equívoco. Ele se coloca completamente fora do estereótipo de beleza, retratando o corpo real, e não o idealizado culturalmente.

Sem dúvida, o fotógrafo ajudou a fortalecer marcas de moda com seu padrão estético extremamente meticuloso. Foram por ele concebidas mais de 150 capas para a Revista Vogue. Além do trabalho de moda, chamam a atenção as naturezas-mortas, os retratos de várias pessoas famosas (Marcel Duchamp, Picasso, Truman Capote, Gisele Bündchen, dentre outras) e os retratos de índios na Papua-Nova Guiné. O interessante é que o artista tratava os famosos e os índios com a mesma simplicidade.

Voltando ao tema das fotografias dos cigarros, é interessante notar não somente como o artista percebia beleza onde ninguém via, como também conseguia transmitir essa beleza através da imagem. Na série “Cigarette”, são exibidas belíssimas guimbas de cigarros, sendo algumas mostradas com uns rasgos, que realmente não são do seu tempo. Isso, em 1970, era inconcebível!

O artista morreu em 2009, deixando este grande legado. A exposição emociona. Quem estiver passando por São Paulo não deve perder esta oportunidade.

IMS

Visitação: de 22 de agosto a 18 de novembro

Entrada gratuita

Endereço: Avenida Paulista, 2424

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Helena Rios

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